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Arquivos do Autor: Douglas Barrios

OGÂNS

Palavra

de origem Bantu que significa: Chefe. Tanto na Umbanda, quanto no Candomblé, este cargo é muito respeitado, porém como este tópico é destinado a Umbanda, falaremos das suas atribuições na mesma.

Dentro de um terreiro de Umbanda o Ogan é tal qual como o nome significa o chefe, aquele que vêm logo após a Mãe ou Pai no santo. Os Ogans não têm incorporação (estado de transe), e assim sendo em todas as vezes que a Mãe de santo ou o Pai de santo estiverem incorporados, os demais médiuns devem respeitá-los, tal como respeitam seu pai ou mãe no santo.

O Ogan é os olhos da mãe de santo ou pai no santo, é a pessoa que observa e coordenar toda a parte ritualística do terreiro, para que tudo corra bem. Quando uma entidade é nova ou se faz presente pela primeira vez, é para o Ogan que ela se apresenta, e diz o seu nome, sua origem e risca o seu ponto, isso sempre na ausência da Mãe ou Pai no santo, quando os mesmos estão presentes , apenas chamam o Ogan para participe da conversa assim como da leitura do ponto. Na verdade o Ogan é como um fiscal.

Além desta importante função o Ogan têm outra função, que é a de cantar e tocar os atabaques para que as entidade possam trabalhar, para tanto o mesmo é conhecedor de todas os Ponto “Cantigas”, e para que serve cada um deles. O Ogan também é responsável por ler o ponto riscado da entidade e saber se corresponde realmente ao que ela está propondo ser.

Existem três Ogans normalmente em cada casa, porém o Ogan que têm todas essas atribuições chama-se Alabê (O Ogan de sala) que geralmente é o mais antigo, e é Ogan do santo da mãe ou do pai no santo da casa. Como é feita a escolha de um Ogan: Dentro da Umbanda, a escolha do Ogan pode ser feita pelo Dirigente (Pai ou Mãe de santo) ou ainda por um determinado Orixá de Umbanda.

A partir deste momento ele passa por um período de aprendizado e logo após este período é Coroado. Entretanto caso o mesmo seja Ogan de atabaque, somente poderá prosseguir para coroação, uma vez que autorizado pelo Ogan mais antigo, que fará provas com o novato a fim de saber se o mesmo aprendeu os ensinamentos. Um bom Ogan consegue perceber quando determinada entidade está por vir, sé é realmente um espírito doutrinado ou não.

Normalmente em um terreiro de Umbanda que haja doutrina e hierarquia, o Ogan pode até mesmo solicitar que determinada entidade vá embora por não se comportar dentro da doutrina ritualística. O que um Ogan fala, a mãe ou pai no santo assina em baixo, é a pessoa de mais alta confiança, se por ventura o Ogan tomar uma decisão ou dar uma ordem que o dirigente não goste, o mesmo chama o Ogan no quarto de santo, e junto com o pai e ou a mãe pequena os três conversam separadamente sem que os médiuns tomem conhecimento.

Isto porque dentro da doutrina Umbandista, os mais graduados não se chamam a atenção na frente dos mais novos é uma questão de hierarquia e respeito. Os atabaques de Umbanda na realidade são Barricas, que são repercutidas com as mãos, assim como no Candomblé os atabaques comem “Oferendas”, se oferece oferenda pelo fato de trata-se de um espírito também, por este motivo na Umbanda, todos batem cabeça para os atabaques, inclusive as entidades. Hoje em dia ainda existem casas em que os filhos tomam à benção ao Ogan mais velho em respeito ao seu Orixá (Coroado – Ifarí) e pelo fato de ser o segundo chefe da casa, faz parte da doutrina.

Assim como devem tomar à benção a Babakekerê ou Iyákekere (Pai pequeno ou mãe pequena) e esses trocam à benção com o Ogan. Quando os Orixás de Umbanda se apresentam, o Ogan mais antigo levanta-se e toca o ADJÁ (Instrumento que faz parte dos que emitem os sons vibratórios para os Orixás) cantando e acompanhando o santo, enquanto os demais tocam os atabaques. Dentro da Umbanda, somente o (a) Dirigente, a Mãe ou Pai pequeno e Pai Ogan, devem tocar o ADJÁ, por serem os mais graduados e porque o ADJÁ deve ser tocado por pessoas e nunca por outros espíritos. O ADJÁ emite um som que é tido como sagrado assim como os atabaques, e assim como os atabaques não são tocados por qualquer um.

Para o Orixá este conjunto de sons somado ao ponto cantado emana uma vibração adequada para o transe e faz parte do ritual. Se na Umbanda com exceção dos Orixás de Umbanda, as demais entidades estão em permanente evolução, os mesmos não podem tocar o instrumento para o Orixá. Esta doutrina inclusive de tocar o ADJÁ é bem semelhante no Candomblé, sendo que na Nação apenas algumas outras pessoas podem tocar, e sempre quando é passado de um para o outro, quem está passando (Independente de cargo) deve se curvar, o que recebe após pegar instrumento se curva também. Dentro da Umbanda existem apenas estes três Ogans, todavia na tradição Yoruba, existem diversos outros Ogan’s, exemplo: de folhas Babalosayin, de matança Asogun etc.

Como na Umbanda não há sacrifício de animais, quando é necessário se chama alguém Iniciado e com o que chama de “Mão de faca”, para Imolar o animal.guarda roupa planejado

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