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Gira de Cosme e Damião – Festa – 07/10

PRA QUE GIRA DE CRIANÇAS?

Manoel adentra ao terreiro e observa meio chateado que hoje é gira de criança e se questiona: o que uma criança pode trazer de útil ou importante para este momento da vida, momento este em que está desempregado, saindo de um desgastante casamento de longos anos se sentindo desprezado, velho, sem forças ou ânimo para as novas e necessárias buscas.
Manuel se sente no fundo do poço, e diz para si mesmo: “aonde eu vim amarrar meu burro? Procurar ajuda num terreiro de macumba já é o fim, mas vir assistir a marmanjos se arrastando de joelhos, fazendo cara de criança, brincando e comendo doce, aí já é ridículo.
O que estou fazendo aqui? Deixe-me ir embora, rápido!”.
Ao se levantar para ir embora, alguém o segura pelo braço e diz: “Entre.
É a sua vez. Aquela criança vos chama”.
Manuel observa o médium incorporado com os braços levantados, chamando-o.
“Ai, ai. E agora? Bom, vamos ver no que dá!”. Entrou.
A criança lhe sorri. Manuel sério.
– Tio, me dá a sua mão.
– Olha, eu só quero um passe. Tenho de ir. Ainda tenho compromisso para hoje – diz Manuel.
– Sim, tio. Me dá as duas mãos e fecha os olhos.
Manuel sente uma leve vibração, convidando-o ao relaxamento, respira fundo, enchendo-se de paz. Manuel pensa: “nossa, há quanto tempo não tenho um momento de paz”.
O menino fala enquanto dá um passe espiritual, puxando do reino dos encantados essências para impregnar em Manuel:
– Tio, lembra quando você era criança e brincava na rua, lembra tio?
– Sim, uma bola foi meu único brinquedo, o único que tive em toda a minha curta infância. E eu adorava brincar de bola. Qualquer vão entre duas coisas era um gol.
– Tio, vem brincar comigo.
– Não, eu não posso, tenho mil problemas a resolver.
– Tá bom, tio. Deixa-me acabar o passe. Tio, à noite, quando você ia dormir, você rezava?
– Sim, mas não me lembro como era, faz muito tempo.
– Tio, acabou. Vai com DEUS, tio!
Manuel volta de seu pequeno transe, leve, como se tivesse deixado lá uma construção que jazia em suas costas. Mas, volta a pensar: “Não adianta. Foi gostoso, mas não resolveu meus problemas. Eles vão bater a minha porta logo, logo”.
Na volta pra casa, Manuel vai que é só recordações, se lembra tanto das alegrias quanto das tristezas, da dureza da infância pobre e das alegrias feitas de quase nada.
De repente, na calçada, quica a sua frente uma bola de futebol daquelas modernas. Manuel, contagiado pela nostalgia, não pensa duas vezes e mete uma bica na bola, que subiu as alturas e foi dar com a vidraça de uma casa velha abandonada.
Com o estardalhaço da vidraça ruindo, as casas vizinhas acenderam as luzes e
Manuel saiu correndo e rindo tal qual uma criança que fez uma traquinagem.
Correu até sua humilde casa a adentrou a porta aos soluços de cansaço.
Deitou-se na cama, fechou os olhos e se lembrou da oração que fazia quando pequeno.
Manuel se viu criança, colocou as duas mãos no peito e adormeceu com uma prece no coração. Sonhou lindos sonhos de uma vida passada, onde havia a alegria que ainda está por vir.
Acordou com os mesmos problemas, mas renovado.
Na outra semana, estava lá no terreiro novamente. Desta vez era gira de caboclos e perguntou ao entrar:
“QUANDO VAI TER OUTRA GIRA DE CRIANÇA?”.

IBEJI IBEJADA!

images1 PRA QUE GIRA DE CRIANÇAS?

Fonte: Jornal Umbanda Sagrada – Edição 155 / Abril de 2013
Por Antonio Bispo

GIRA D’AGUA – 16/09/2017

Encontramos na linha de Yemanjá, ou povo d’água, espíritos altamente evoluídos, de vibrações sutís, mas que se apresentam com a roupagem fluídica de caboclas, dentro da vibração do Orixá Yemanjá. Nesta grande e poderosa Linha de trabalho, militam espíritos altamente benevolentes (Madres, Freiras, etc…), envoltos na grande força mantenedora que é o AMOR. Buscam a elevação vibratória do ambiente, como também das pessoas através dos cantos por elas emitidos como em seus passes magnéticos, atuando diretamente no chacra cardíaco de todos, transformando energias e pensamentos densos em energias sutis.
Trabalham diretamente com o elemento água, símbolo da vida. Na Umbanda são chamadas de “Mamãe sinda” que significa Mãe zelosa, que cuida, ampara os filhos.
O coração símbolo universal do AMOR, representa esta linha. Geralmente em suas incorporações rodopiam seus médiuns, e ou fazem gestos circulares com as mãos criando assim um espiral de energia, sugando as densidades energéticas do ambiente. É comum usarem copos com água e flores, que magnetizados se transformam em ferramentas de trabalho.
Falam somente o necessário, não dão consultas,trabalham emitindo um canto, que na verdade é a sonorização de um poderoso mantra aquático, diluidor de energias, vibrações e formas-pensamentos que se acumulam dentro dos centros ou nos campos vibratórios dos médiuns e dos assistentes.
É uma linha poderosa, mas pouco solicitada para os trabalhos.
São ótimas para anular magias negativas, afastar obsessores e espíritos desequilibrados ou vingativos.
Também são poderosas se solicitadas para limpeza de lares e para harmonização de casais ou famílias.